Episódios

  • EP#147: Instituições econômicas brasileiras no século XIX, com William Summerhill
    Aug 20 2026

    No episódio, Ana Frazão conversa com William Summerhill, Professor de História da UCLA (University of California Los Angeles), Visiting Fellow na Hoover Institution, Brasilianista e Autor dos livros Order Against Progress (Traduzido para o português com o título “Trilhos do Desenvolvimento: as ferrovias no crescimento da economia brasileira, 1854-1913”) e Inglorious Revolution.

    Na conversa, o professor Summerhill explica por que desafia muitas das conclusões da historiografia tradicional brasileira, mostrando como uma economia atrasada na metade do século XIX conseguiu iniciar seu processo de transição para o crescimento econômico, sendo as ferrovias o fator mais importante desta transição. Dentre os pontos abordados pelo professor, encontram-se os fatores impediam o crescimento econômico brasileiro antes do investimento em ferrovias, os benefícios deste investimento, o papel do governo na atração dos investimentos internos e externos e como foi estruturada a associação vantajosa entre Estado e capital estrangeiro, viabilizando o contrato institucional que tornou o projeto possível. Uma das tônicas da conversa são as razões pelas quais o papel do Estado foi fundamental não apenas para atrair o investimento estrangeiro, como também para proteger consumidores brasileiros, assegurando o compartilhamento dos benefícios com o mercado nacional. Assim, o professor defende que o caso das ferrovias é realmente um exemplo de como o direito pode transformar um investimento socialmente desejável, mas inviável do ponto de vista privado, em uma meta realizável, determinando quem se apropria – e em que medida – dos ganhos.

    Outro tópico da conversa é entender como o Brasil realizou uma proeza extraordinária, tornando-se, em pleno século XIX, um dos mais confiáveis devedores soberanos da periferia internacional, ao mesmo tempo em que não conseguiu grande êxito no tocante às finanças privadas, mantendo o sistema bancário concentrado, restringindo a constituição de sociedades anônimas e conservando o crédito privado caro e escasso. O professor explica esse paradoxo, dialogando com o argumento de autores institucionalistas, como North, no sentido de que boas instituições produzem desenvolvimento. Para o entrevistado, a relação é mais complexa, ou seja, que instituições que podem ser excelentes para um mercado – o da dívida pública – podem ser ruins para outro – o do financiamento privado.

    Ao final, o professor ainda aborda os problemas do capitalismo de camaradagem e da concentração econômica.

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    58 minutos
  • EP#146: Comunicação e desinformação na internet, com Rose Marie Santini
    Aug 5 2026

    No episódio, Ana Frazão conversa com Rose Marie Santini, Professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundadora e Diretora do NetLab (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da UFRJ). No episódio, a Professora Marie aborda as principais consequências da internet para a comunicação e a interação humanas, bem como o papel das grandes plataformas e redes sociais no gerenciamento do fluxo informacional. Um dos pontos principais da conversa diz respeito ao que é desinformação, seus principais alcances e as principais preocupações que despertam, com base em recente estudo do NetLab “Desinformação pode matar”. São explorados, dentre outros assuntos, os diferentes tipos de manipulação informacional e digital e como a desinformação se tornou um negócio lucrativo. Por fim, a professora Marie ainda faz uma análise dos riscos da desinformação nas próximas eleições, abordando os subsídios que o NetLab recentemente ofereceu ao TSE.

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    1 hora e 6 minutos
  • EP#145: Efeitos econômicos da escravidão no Brasil, com Nuno Palma
    Jul 23 2026

    No episódio, Ana Frazão conversa com Nuno Palma, Professor de Economia da Universidade de Manchester sobre o artigo Crescimento econômico no Brasil - How a nation was born: Brazilian economic growth: 1574-1920, que o entrevistado escreveu em coautoria com Guilherme Lambais, da Universidade Lusíada de Lisboa. O artigo retrata estudo sobre o PIB per capita do Brasil do período colonial a até à república, mostrando que, mesmo sendo o Brasil um país sempre pobre, houve um breve período, no início da colonização, no qual os brasileiros tinham renda média comparável a de países europeus. Depois, em meados do século XVII, o país empobreceu e somente em meados do século XIX o PIB volta a crescer. No estudo, os autores concluem que o motor dessa história é a escravidão, grande responsável pela armadilha do salário baixo, baixa tecnologia e baixo desenvolvimento, na medida em que empobreceu o escravizado, empobreceu o trabalhador livre e desestimulou a adoção de processos produtivos mais eficientes. Daí por que a abolição da escravidão, longe de ter sido apenas uma questão humanitária, foi também algo economicamente eficiente. O professor Nuno ainda faz paralelos entre seus estudos e os de Celso Furtado e Nathaniel Leff e faz algumas especulações sobre em que medida as instituições extrativas (na terminologia de Acemoglu e Robinson) decorrentes da escravidão não persistem até hoje. Ao final da conversa, são exploradas outras frentes de estudos e análises importantes para entendermos a formação das instituições econômicas no Brasil.



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    51 minutos
  • EP#144: Economia Solidária, com Elis Licks
    Jul 9 2026

    No episódio, Ana Frazão conversa com Elis Licks, economista, doutora em Economia Aplicada pela USP, professora de Economia do Instituto Federal do Espírito Santo e Conselheira Federal de Economia, sobre Economia Solidária. A entrevistada explica sua trajetória na economia ambiental e mostra como os desafios ligados aos recursos naturais, à sustentabilidade e aos desastres socioambientais não podem ser separados das questões sociais, como renda, trabalho digno, desigualdade e inclusão. A professora apresenta a Economia Solidária como uma forma de organização econômica baseada na cooperação, na autogestão e na solidariedade, destacando seus vínculos com a agricultura familiar, as cooperativas, os bancos comunitários, a reciclagem e as finanças solidárias. Ao longo da conversa, Elis resgata as origens históricas do tema, passando por Robert Owen, pelos socialistas utópicos e pela contribuição decisiva de Paul Singer no Brasil. A entrevistada também aborda exemplos nacionais e internacionais, como o grupo Mondragón, o Grameen Bank, o Banco Palmas, a Justa Trama e as cooperativas de catadores, mostrando que a Economia Solidária já produz resultados concretos em diferentes escalas. Na parte final, a professora trata do papel do Estado, da importância da Lei Paul Singer de Economia Solidária, dos desafios de crédito, assistência técnica e comercialização, além das conexões entre Economia Solidária, economia circular e sustentabilidade ambiental. Elis encerra defendendo o diálogo entre Direito e Economia e a necessidade de uma formação interdisciplinar para enfrentar os problemas complexos do século XXI.


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    41 minutos
  • EP#143: O Brasil no Espelho, com Felipe Nunes
    Jun 26 2026

    No episódio, Ana Frazão entrevista Felipe Nunes, PhD em Ciência Política, Professor de Economia da FGV-SP, Sócio-Fundador da Quaest e autor do livro “O Brasil no Espelho.” A entrevista trata dos aspectos principais do livro e das suas conclusões básicas, dentre as quais somos um país majoritariamente conservador, de direita mas paradoxalmente estatista, mas que não pode ser explicado pela média. Na conversa, Felipe explora os principais achados da pesquisa, como os de que o brasileiro é um homem de fé, com muitos preconceitos de gênero e que vive em uma sociedade estruturalmente racista. Ponto muito importante da conversa é o que trata do mercado de trabalho: a pesquisa descobriu que as pessoas estão cansadas, mas não defendem políticas de redistribuição de renda nem gostam de cotas. Especial atenção é dada ao “empreendedorismo de exaustão”, em que as pessoas trocam a CLT pelo CNJP não por vocação, mas como resposta defensiva ao aperto de renda. O entrevistado ainda trata do alto grau de individualismo e descrença com soluções coletivas e políticas públicas voltadas para os mais vulneráveis, além do fato de sermos uma sociedade com medo e desconfiada. Na parte final, o entrevistado explica a sua classificação dos brasileiros a partir de perfis ideológicos e também pelas gerações, assim como mostra os riscos da ilusão do conhecimento no Brasil e os principais impactos sobre a democracia.


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    1 hora e 5 minutos
  • EP#142: Economia Política, com Maria de Lourdes Rollemberg Mollo
    Jun 11 2026

    No episódio, Ana Frazão conversa com Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, Professora Titular de Economia da Universidade de Brasília - UnB sobre Economia Política. A entrevistada explica por que a economia é sempre política, os meios pelos quais se tentou despolitizá-la a partir da revolução marginalista e como a Economia Política foi crescentemente recuperando o seu prestígio ao longo do século XX. A professora trata também das principais diferenças entre as visões ortodoxa, marxista e pós-keynesiana na compreensão dos principais assuntos vinculados à Economia Política, como a relação entre economia real e economia monetária, o papel do Estado e da política econômica para o controle da inflação e do desemprego, e os efeitos da financeirização. Na parte final, a professora aborda as discussões mais recentes sobre desenvolvimentismo e políticas econômicas alternativas.


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    54 minutos
  • EP#141: Economia Política e do Desenvolvimento, com Cláudio Ferraz
    May 28 2026

    No episódio, Ana Frazão conversa com Claudio Ferraz, Professor da Vancouver School of Economics, University of British Columbia, e do Departamento de Economia da PUCRJ sobre seu eixo de pesquisa e produção científica, centrado na Economia Política e do Desenvolvimento. O professor Cláudio explica as razões pelas quais a economia é necessariamente política e os desdobramentos disso para as reflexões econômicas atuais. Nesse sentido, explora as relações entre democracia e mercados, bem como entre desigualdade econômica e erosão democrática. Na segunda parte da conversa, o professor explica as dificuldades enfrentadas pelo Brasil para o crescimento econômico. Por fim, o professor trata dos seus estudos e pesquisas sobre a corrupção, mostrando os custos do combate à corrupção, os tradeoffs envolvidos e as formas mais eficientes para o seu combate. Também trata dos incentivos para que os políticos sejam melhores e menos corruptos, assim como o problema das dinastias políticas no Brasil.


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    53 minutos
  • EP#140: Fundações do pensamento político brasileiro, com Christian Lynch
    May 14 2026

    No episódio, Ana Frazão conversa com Christian Lynch


    Doutor em Ciência Política (Ciência Política e Sociologia) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), Professor Associado do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política do Instituto de Estudos Políticos e Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ) e Pesquisador da Fundaçao Casa de Ruy Barbosa sobre o seu novo livro “Fundações do pensamento político brasileiro”. O autor aborda desde a metodologia da pesquisa, explorando o papel da história e da historiografia para a compreensão dos fenômenos políticos, assim como a nova historiografia e como fazer as adaptações para o contexto periférico. Ao tratar dos principais achados do livro, o autor explica como foi a construção intelectual do Estado no Brasil independente e como se deu a a passagem do mundo colonial para o Império. Aborda igualmente os aspectos mais importantes da construção intelectual do estado português e quais as suas principais reverberações no Brasil, as principais características do pensamento politico ibero-americano, as repercussões do seu maior sentido prático e da centralidade da retórica e a crítica que faz a Raymundo Faoro no livro “Os donos do poder”.

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    58 minutos